quinta-feira, 17 de março de 2011

Sem ar

Tá ali. Preso no meio da garganta, atravessado, sufocante e desagradável.
É uma massa consistente de angústia, raiva, impropérios, dor, confusão e cansaço. Está confortável, irritantemente confortável. Não se liberta nem se consome, mas consome a mim.
Respirar é difícil, sofrível. O ar tenta encontrar buraquinhos para sair, mas são pequenos, apertados, só fios de ar conseguem escapar. A respiração se torna ofegante e cansativa. É um momento de desespero.
É uma massa tão incômoda que sua composição se irradia por toda a parte, e toda ela toma meu corpo e minha alma...É mais que um nó na garganta, é toda uma amarração em que não se vê a ponta da corda. É um emaranhado, um labirinto fácil de se perder.

domingo, 13 de março de 2011

Medo do escuro

No escuro tudo pode acontecer. A imaginação se torna ainda mais criativa e vê no breu o pano de fundo perfeito para suas histórias.
Para alguns, o escuro é ótimo, libertador, cheio de possibilidades interessantes.
Pra mim, é assustador. Momento em que os monstros saem dos armários, que a imaginação começa a fantasiar cenas perturbadoras. É a falta de direção, de guia. Não há como saber em que eu estou pisando, o que há a minha frente. Talvez não seja nada, mas eu sempre acho que há algo,e isso vai me agarrar, me sufocar.
Não há saídas, ao menos não encontro nenhuma. Não gosto dessa falta de opção, dessa ausência de plano b.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Desastre silencioso para qualquer alma orgulhosa

Ele vem como uma faca, me abre,me expõe, deixa à mostra todos os sentimentos que eu tento com tanto sacrifício esconder.
Ele surge do nada, e por isso destrói. Nem me permiti guardar algumas coisas, ou fazer meu kit de primeiros socorros.
E o fim dele não é determinado. Podem ser cinco minutos ou uma noite inteira. Pode ser intenso, escandaloso, pode ser quieto, tímido. Não importa a forma, sempre é forte.
Não há postura que resista, não há sorriso que o reprima. Ele devasta qualquer orgulho.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Música

A criança e o pai estavam no quintal da casa. A criança, sentada no degrau que dava acesso à casa, olhava o pai tocando violão, quando de repente o violão saiu do colo do pai e começou a tocar sozinho.
A criança ficou admirada ao ver tudo aquilo e ficou ainda mais surpresa quando as cordas do violão se transformaram em braços e o violão a convidou para dançar com ele. A música era animada e a dança divertida. Eles riam muito. Vendo tudo aquilo, a cadeira, as flores e os vasos com plantas também se animaram e começaram a dançar. Fizeram ciranda, pularam, brincaram de estátua, aproveitaram ao máximo o momento.
O tempo passou rápido e assim anoiteceu, por isso, a criança, o violão, a cadeira, as flores e os vasos com plantas sentiram sono. A cadeira, as flores e os vasos com plantas foram para seus lugares habituais e ficaram quietinhos lá. O violão se silenciou e voltou para o colo do pai, e a criança disse ao pai que queria dormir.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Do outro lado da rua

Cecília estava esperando o ônibus no ponto. Estava distraída, olhando para a frente,pensando em tudo e em nada, quando o viu. Não se tratava de um belo rapaz, mas havia algo nele que havia chamado a atenção da garota, talvez fosse o estilo, a forma como ele ficava parado, lendo as notícias do jornal na banca. Ela só sabia que queria continuar a olhá-lo, pelo tempo que pudesse, para sempre ou enquanto não chegasse o ônibus.

Será que ele a olharia?Será que se ela fizesse algum barulho ele iria notá-la? Será que se ela fosse até a banca, ele falaria com ela?Será?Será?Será? Todos esses pensamentos ocupavam sua mente, freneticamente,um atropelando o outro, todos ao mesmo tempo a atormentando. De repente, ela sentiu seu coração batendo mais forte, sinal de que estava ficando cada vez mais ansiosa. Mas parecia tão idiota toda aquela sensação. Não fazia sentido querer a atenção de um desconhecido. Era um desejo que logo passaria, Cecília refletiu.

O ônibus chegou,ela entrou e assim se despediu do desconhecido desconhecido.